Mover uma ação judicial contra o governo é um direito de quem teve seus direitos violados por um órgão público. No entanto, esse tipo de processo costuma envolver regras específicas, prazos próprios e, em muitos casos, anos de espera até o pagamento — especialmente quando o resultado gera um precatório.
Para navegar por esse cenário com mais clareza, conhecer o passo a passo, entender onde o processo tramita e o que acontece após uma vitória faz toda a diferença. Essas informações são essenciais para tomar decisões mais seguras e planejar-se também do ponto de vista financeiro.
Neste guia, te explicamos como entrar com uma ação contra o Poder Público, detalhando prazos, funcionamento do processo e quais medidas adotar caso o pagamento demore. Confira o que preparamos para você!
Qual o prazo para processar o Poder Público?
O prazo para entrar com uma ação judicial contra o governo não é, por norma, de 3 anos, como muitas pessoas acreditam. Segundo o Decreto nº 20.910/1932, que rege as ações contra a Fazenda Pública, o prazo geral de prescrição é de 5 anos, contados a partir do momento em que o direito foi violado.
Atenção às exceções para processar o Poder Público
Em casos de trato sucessivo — como benefícios previdenciários, salários, pensões ou vantagens funcionais pagas mês a mês — não ocorre a perda total do direito.
Nesses casos, prescrevem apenas as parcelas vencidas há mais de cinco anos. Por isso, cada situação precisa ser analisada individualmente para verificar se o direito ainda pode ser exigido judicialmente.
Para entender como o valor da causa impacta prazos, competência e tipo de pagamento, confira nosso conteúdo completo sobre valor da causa: um guia completo para advogados e clientes.
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Como mover uma ação judicial contra o governo?
Para mover uma ação judicial contra o governo, é fundamental seguir alguns passos básicos e estratégicos. São os principais:
1. Identificação correta do réu
Antes mesmo de protocolar a ação judicial, é indispensável identificar quem será o réu do processo, ou seja, qual ente público é o responsável direto pelo erro, atraso ou omissão que gerou o prejuízo.
Esse cuidado é fundamental, pois direcionar a ação contra o órgão errado pode causar atrasos, extinção do processo ou necessidade de reinício da demanda. De forma geral, o processo deve ser movido contra o ente que praticou o ato ou deixou de cumpri-lo.
Veja alguns exemplos comuns:
- Problemas com o INSS: ação contra autarquia federal (União);
- Dívidas ou salários de Estados ou Municípios: ação contra o ente estadual ou municipal;
- Questões envolvendo universidades federais ou órgãos públicos federais: competência da Justiça Federal.
Ganhei o recurso do INSS: e agora? Veja próximos passos
2. Justiça Federal ou Justiça Estadual?
Após identificar corretamente o réu, o próximo passo é definir em qual ramo do Judiciário o processo deve tramitar. Essa escolha não é opcional: ela depende exclusivamente da natureza do ente público envolvido e influencia diretamente o andamento e a competência do processo.
Em linhas gerais, funciona assim:
- Justiça Federal (TRFs): quando o réu é a União, autarquias federais ou empresas públicas federais;
- Justiça Estadual (TJs): quando o réu é um Estado, Município ou suas respectivas autarquias.
Essa definição garante que o processo seja analisado pelo tribunal competente desde o início, evitando nulidades e atrasos desnecessários.
3. Juizado Especial ou Justiça Comum?
Além de definir se o processo será federal ou estadual, também é importante verificar qual será o rito da ação, especialmente quando o réu é a União. Essa escolha influencia o tempo de tramitação, os custos e até a obrigatoriedade de advogado.
Nos processos contra a União, a regra é:
- Até 60 salários mínimos (teto legal do Juizado Especial Federal): Juizado Especial Federal (JEF);
- Acima desse limite: Justiça Federal comum.
No Juizado Especial Federal, o processo tende a ser mais rápido e, em algumas situações, pode dispensar advogado na primeira instância.
Ainda assim, contar com orientação jurídica especializada é altamente recomendado, principalmente quando há possibilidade de recursos ou valores mais elevados envolvidos.
4. Documentos e provas necessárias
Por fim, para que a ação judicial contra o governo tenha fundamento e chances reais de êxito, é essencial reunir documentos e provas que comprovem o direito violado. Sem esses elementos, o processo pode ser indeferido ou sofrer dificuldades ao longo da tramitação.
Entre os principais documentos exigidos, estão:
- Documentos pessoais;
- Comprovação do direito alegado (holerites, extratos, decisões administrativas);
- Negativas formais emitidas pelo órgão público;
- Provas de prejuízo financeiro ou moral, quando aplicável.
Quanto mais organizada e completa estiver a documentação, maiores são as chances de o processo avançar de forma segura e eficiente.
Etapas de uma ação contra o governo: da petição ao trânsito em julgado
Uma ação judicial contra o Poder Público passa, em geral, pelas seguintes fases:
- Protocolo da petição inicial;
- Contestação do ente público;
- Produção de provas;
- Sentença;
- Recursos (se houver);
- Trânsito em julgado, quando não cabem mais recursos.
Somente após o trânsito em julgado — quando não cabem mais recursos — é que se inicia a fase de pagamento.
Ganhei a causa. Como o pagamento é incluído no orçamento?
Quando a condenação é definitiva, o juiz expede um ofício requisitório, que pode resultar em um RPV, para valores menores, ou um precatório, para valores mais elevados. No caso dos precatórios, o pagamento depende da inclusão do débito na Lei Orçamentária Anual (LOA).
Além disso, para o precatório ser incluído no orçamento do ano seguinte, o ofício requisitório precisa ser expedido até 02 de abril. Caso contrário, o pagamento pode ser postergado por mais um exercício financeiro.
Diferença entre Precatórios e RPVs: quanto você vai receber?
A diferença entre RPVs e precatórios está no valor e no tempo de espera. As RPVs envolvem quantias menores e costumam ser pagas mais rápido, geralmente em até 60 dias.
Já os precatórios são para valores maiores e entram em uma fila de pagamento, o que pode levar mais tempo. Entender essa diferença ajuda a se planejar melhor.
Vale conferir nosso conteúdo completo sobre RPV e precatório: entenda diferenças e quando são pagos
O que fazer quando o processo demora para ser pago?
Mesmo após ganhar a causa, muitos credores enfrentam longas filas de pagamento, especialmente em precatórios federais, estaduais ou municipais. Quando essa espera impacta a vida financeira, existe a alternativa da antecipação do crédito, por meio da venda do precatório.
Depois que a cessão é concluída, você recebe o valor combinado diretamente, sem precisar esperar a fila de pagamento do governo. Em geral, todo o processo leva de 1 a 2 dias úteis. Quer saber mais sobre precatórios? Fale conosco!
Perguntas Frequentes
1. Quanto tempo demora um processo contra o governo?
Um processo contra o Poder Público pode levar, em média, de 5 a 10 anos, considerando a fase judicial e a fila de pagamento.
2. Posso processar o governo sem advogado?
Processar o governo sem advogado é possível apenas em Juizados Especiais e até determinado valor. Ainda assim, a orientação profissional é recomendada.
3. O que acontece se o governo não pagar o precatório no prazo?
Quando há atraso, podem incidir juros de mora e, em situações específicas, o Judiciário pode autorizar medidas como o sequestro de verbas.
4. É seguro vender meu precatório para a Precato?
Vender um precatório para a Precato é seguro, pois a operação ocorre somente após a expedição do ofício requisitório, com respaldo legal e homologação judicial.
Referências
BRASIL. Decreto nº 20.910, de 30 de dezembro de 1932. Regula a prescrição e a decadência em ações contra a Fazenda Pública. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/1930-1939/D20910.htm. Acesso em: 14 jan. 2026.
BRASIL. Lei nº 10.259, de 12 de julho de 2001. Institui os Juizados Especiais Federais. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/leis_2001/l10259.htm. Acesso em: 14 jan. 2026.