O universo dos precatórios gera dúvidas recorrentes, principalmente para quem aguarda o pagamento após vencer uma ação judicial contra o governo. O tema envolve regras jurídicas detalhadas, impacto direto no orçamento público e etapas que geram ansiedade em credores de todas as regiões do Brasil.
Este guia apresenta, de forma clara e confiável, tudo que você precisa saber sobre o que é precatório, exemplos práticos, diferenças para outros créditos, passo a passo para consulta e dicas para negociar com segurança.
O que é precatório e por que ele existe na justiça brasileira?
Precatório é uma ordem de pagamento expedida pelo Poder Judiciário, determinando que União, estados, Distrito Federal ou municípios quitem dívidas reconhecidas em sentença judicial definitiva. Isso ocorre quando o cidadão, empresa ou servidor vence uma ação judicial contra o poder público, com valor acima do limite das RPVs (Requisições de Pequeno Valor).
O precatório surgiu para garantir que o Estado cumpra obrigações financeiras após decisões judiciais, protegendo o direito do credor e evitando calotes. Por exemplo, um servidor demitido injustamente pode conquistar na Justiça salários atrasados; se o valor excede o limite da RPV, o pagamento será feito por precatório. O mesmo ocorre em indenizações por desapropriação, revisões de aposentadoria ou benefícios previdenciários.
Esse sistema é fundamental porque o Estado não pode ter bens penhorados como empresas privadas. Há uma fila e previsão orçamentária, que assegura ao credor o recebimento, ainda que demorado. O precatório garante segurança jurídica e transparência, obrigando o governo a cumprir suas obrigações.
Quem tem direito a receber precatório segundo a lei
O credor de precatório pode ser qualquer pessoa física ou jurídica que obtenha decisão judicial definitiva contra órgão público. Entre os principais titulares estão:
- Servidores públicos ativos e aposentados
- Pensionistas
- Empresas de todos os portes
- Cidadãos em casos de indenizações, desapropriações ou cobranças fiscais
Os precatórios se dividem em:
- Alimentares: salários, pensões, aposentadorias, benefícios previdenciários e indenizações trabalhistas. Estes têm prioridade.
- Comuns: outros tipos de dívidas, como desapropriações, tributos e contratos administrativos.
A lei prevê prioridade para pessoas com mais de 60 anos, portadoras de doença grave ou deficiência. Em caso de falecimento do credor, familiares podem herdar o direito ao precatório, seguindo processo de habilitação. Empresas também podem ser credoras em disputas fiscais ou contratos não pagos pelo poder público.
Exemplo: um aposentado que ganha ação para revisão de benefício pode receber precatório alimentar se o valor superar o limite da RPV. Uma empresa pode obter precatório comum em ação de ressarcimento de tributos pagos indevidamente.
Como nasce o precatório: etapas do processo até o pagamento
O nascimento do precatório ocorre em etapas obrigatórias:
- Sentença judicial definitiva: o juiz reconhece a dívida do governo e determina o valor;
- Trânsito em julgado: não há mais recursos possíveis;
- Expedição do Oofício requisitório: o advogado formaliza o pedido ao juiz, detalhando o valor atualizado e dados do beneficiário;
- Envio ao tribunal: o tribunal (federal, estadual ou municipal) recebe o ofício e inclui o valor na lista anual dos precatórios;
- Inclusão no orçamento: o valor é registrado na proposta orçamentária do órgão público;
- Pagamento: o precatório é pago conforme ordem cronológica, com prioridade para casos previstos em lei.
O cálculo inclui correção monetária, juros, honorários e encargos. O advogado é essencial para acompanhar cada etapa, garantir direitos e evitar erros na inclusão.
Entenda as diferenças entre precatório, RPV e outros créditos
A principal diferença entre precatório e RPV (Requisição de Pequeno Valor) está no valor da dívida e no prazo de pagamento. A RPV é usada para dívidas judiciais abaixo do limite legal, garantindo pagamento mais rápido. Exemplos de limites:
- Federal: até 60 salários mínimos;
- São Paulo: 440,214851 Ufesps;
- INSS: valor máximo dos benefícios do Regime Geral.
Se o valor supera esses limites, o pagamento será por precatório, sujeito à fila e prazos maiores. RPVs são quitadas em até 60 dias após expedição.
Cada esfera de governo tem regras e limites próprios, tornando essencial consultar a legislação local e o advogado responsável.
Situações em que não é considerado precatório segundo a legislação
Nem toda dívida do governo gera precatório. O regime não se aplica para:
- Créditos abaixo do mínimo legal (pagos por RPV)
- Dívidas contra entidades privadas
- Decisões judiciais não transitadas em julgado
- Pagamentos administrativos sem sentença
Exemplo: restituições de imposto de renda são pagamentos fora do regime de precatórios. Apenas créditos de decisões definitivas, contra a Fazenda Pública e acima do limite legal, entram nessa fila.
A legislação busca evitar excesso de precatórios para valores baixos ou créditos ainda não confirmados. O sistema beneficia quem tem direito reconhecido.
Como consultar precatórios em cada tribunal federal ou estadual
A consulta de precatórios é feita online nos portais dos TRF (Tribunais Regionais Federais). Esse acompanhamento permite ao credor entender a posição na fila e o andamento do pagamento.
Tribunais Regionais Federais (TRF)
- TRF1: Distrito Federal, Minas Gerais, Goiás, Bahia, Amazonas, Acre, Amapá, Maranhão, Pará, Piauí, Rondônia, Roraima, Tocantins;
- TRF2: Rio de Janeiro e Espírito Santo;
- TRF3: São Paulo e Mato Grosso do Sul;
- TRF4: Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul;
- TRF5: Pernambuco, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Alagoas e Sergipe;
- TRF6: Minas Gerais.
Consultas podem ser feitas por CPF, nome ou número do processo. Os portais mostram situação do pagamento, data de expedição, valor atualizado e posição na fila.
Precatórios estaduais e municipais
A consulta ocorre nos sites dos Tribunais de Justiça para precatórios estaduais. Para municipais, o portal do tribunal ou prefeitura pode disponibilizar sistema próprio. Tenha em mãos o número do processo e CPF.
É importante consultar periodicamente para acompanhar atualizações, mudanças de calendário ou bloqueios judiciais. Em caso de dúvidas, o advogado pode orientar sobre documentos e canais necessários.
Quais são as principais leis que regulamentam os precatórios
O regime dos precatórios segue normas constitucionais e leis específicas:
- Artigo 100 da Constituição Federal: define conceito, ordem de pagamento e prioridade dos alimentares;
- Emenda Constitucional 114/2022: altera prazos, limites e prioridades;
- Lei 13.463/2017: trata da expedição, cancelamento e regras dos precatórios federais não sacados.
Essas normas impactam o tempo de espera, direitos de prioridade e procedimentos para inclusão dos créditos na lista anual. Conhecê-las permite ao credor planejar finanças e avaliar alternativas como a cessão do crédito.
Receber precatório: quais são os prazos e como funciona o calendário
O prazo para receber precatório depende da esfera de governo e da data de expedição. No âmbito federal, precatórios expedidos até 2 de abril entram no orçamento do ano seguinte e são pagos até 31 de dezembro desse ano. Após essa data, o pagamento vai para o orçamento subsequente.
Estados e municípios têm calendários próprios, mas seguem lógica semelhante. A prioridade é dada a idosos, portadores de doença grave ou deficiência. Para acompanhar:
- Consulte o portal do tribunal;
- Confirme informações com o advogado;
- Acompanhe editais e comunicados oficiais.
Acordos diretos, bloqueios ou liminares podem impactar o prazo real. Manter-se informado e buscar orientação é essencial.
Cessão de crédito de precatórios: entenda essa alternativa para o credor
A cessão de crédito permite ao credor negociar o direito de receber o precatório com empresas especializadas, antecipando o recebimento, geralmente com desconto sobre o valor total.
Principais benefícios:
- Antecipação do valor, permitindo uso imediato;
- Redução da espera e incerteza;
- Segurança jurídica quando feita com empresa confiável e contrato detalhado.
Antes de aceitar, analise:
- Reputação da empresa compradora;
- Condições do contrato e taxas;
- Valor ofertado.
A Precato é referência no segmento, com transparência, atendimento personalizado e suporte jurídico. O acompanhamento do advogado é indispensável para garantir segurança jurídica e evitar prejuízos.
Mitigue riscos: principais cuidados ao negociar precatórios
Negociar precatórios exige atenção para evitar golpes e prejuízos. Veja orientações essenciais:
- Pesquise a reputação da empresa compradora;
- Exija contratos detalhados e análise jurídica;
- Consulte CNJ e órgãos de fiscalização para verificar possíveis irregularidades;
- Peça referências de operações anteriores;
A escolha de parceiros confiáveis, como a Precato, reduz riscos e assegura que a negociação siga a lei. O advogado especializado revisa cláusulas, esclarece dúvidas e protege o interesse do credor.
Com informação, cuidado e suporte, o credor toma decisões seguras, pode antecipar recursos e transformar o crédito judicial em solução financeira protegida. Aproveite o suporte da Precato para garantir tranquilidade e o melhor resultado na negociação do seu precatório.
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Referências
- CONSELHO DA JUSTIÇA FEDERAL (CJF). Precatórios e RPVs. Disponível em: https://www.cjf.jus.br/publico/rpvs_precatorios/. Acesso em: 21 jul. 2025.
- TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO DISTRITO FEDERAL E DOS TERRITÓRIOS (TJDFT). Perguntas Frequentes – Precatórios. Disponível em: https://www.tjdft.jus.br/consultas/precatorios/perguntas-frequentes. Acesso em: 21 jul. 2025.
- TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 5ª REGIÃO (TRF5). Portal Precatórios/TRF5. Disponível em: https://rpvprecatorio.trf5.jus.br/perguntas. Acesso em: 21 jul. 2025.